cadê a chave da porta?

Estamos presos num quarto cético
com um Passado insone
e o Futuro narcoléptico

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Deixa ela’mar

Tinha tantas saudades do mar

Que fez dele a mais

Bebível

Mini versão de si

Se tornou vasta e irrefreável

irrequieta

e imprevisível.

 

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Pesadelo

Na mais escura noite

Fomos trindades santas malditas

Num ridículo triângulo amoroso

E eu como sempre

Apegada ao fodam-se os outros

Quis deixar as duas para trás

Só para seguir meu rumo

Ah, engano o meu acreditar

Que sou eu quem dito

o que quer que seja

Olhei nos olhos daquela mulher

E abracei

Sua gravidez e sua destemida frieza

De repente, um grito.

Um choro de criança preencheu os ares

Olhei para baixo

E um buraco sangrento surgiu

Coágulo exposto numa barriga vil

Você machucou meu bebê, ela disse.

E me amaldiçoou sem falar

Você machucou o meu bebê, ela repetiu.

E enfiou sua mão no buraco da barriga

Para o bebê conseguir agarrar

Você machucou o meu bebê!

Eu nem sabia o que fazer!

Gritei por ajuda

Qualquer alma viva servia

Mas ninguém

A outra mulher só encarava

Não éramos sós, mas estávamos.

Você machucou o meu bebê.

Não foi minha culpa!

Se tiverem boa intenção, deixe que entrem!

E ela segurou aquele miúdo ser

E mordeu sua cabeça

E rasgou sua pele

E sujou seus brancos dentes

De tons de vermelho

O que eu deveria fazer?

Tentei salvar o bebê

Segurá-lo em minhas mãos

Aquela miúda criatura

Tão frágil tão crua

Agarrou em meu dedo

E do pequeno ser saíram garras

Tão afiadas e negras

Que cortaram minha pele

Atravessando a minha carne

E revelando meu osso

O que estava acontecendo conosco?

E o bebê que agora era bicho

Cresceu de suas costas

Sangrentas asas

E voou para longe

Num zumbido contido

E como se de repente

Tivéssemos voltado para nós

As três mulheres se encararam

E viram no olhar

A força uma da outra

Será que aquilo tudo tinha significado?

A noite estava tão escura

O clima estava tão frio

E todas as três se reencontraram

No calor de um abraço.

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nota de exílio

e esse vazio que eu sinto
é apenas
o espaço que deveria habitar
a parte de mim
que eu tanto anseio em ser
mas repreendo
prendo
asfixio
exilo
de mim

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Poesia Post-it #1

Caotize

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por | 4 de junho de 2017 · 1:16 PM

tu-poema

tu apareceu nas cartas antes de aparecer aqui
tu apareceu nas cartas antes de aparecer pra mim

e tu me esquenta, me encanta. me escreve, me derrete.
me deixa ofegante, me dá enjoo, me agonia, frio na espinha.

Se eu bebesse, teria falado de você em t o d o s  o s b o t e c o s da cidade, to-dos.
E a cada boteco, meus olhos de cigana oblíqua e dissimulada, esses olhos de plena ressaca ficariam mareados; e o rosto ficaria vermelho, o corpo sem reação e a mente avoada porque tu me fez flutuar. tu me tirou os pés do chão.

tu é caminho no meu jogo, batuque do meu afeto;
tu é o cheiro no cangote, aperto do meu abraço.

 “te vira, mulher. não é pra resistir.”

E aí, larara lariri…
tu apareceu nas cartas antes de aparecer aqui
tu apareceu nas cartas antes de aparecer pra mim

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apareça

“And there he was, this young boy, a stranger to my eyes.”

Não me canso de perguntar: onde está você? Sabe, algum dia vou te mostrar todos os escritos, as cartas, as músicas e vou te contar tudo que já vivemos na minha cabeça. Você vai saber quem sou eu e eu saberei quem é você, que me falta todas as vezes que preciso de colo e mais ainda: todas as noites que estou só.

por favor, não demore.

Porque eu sei, eu espero e peço que essa dor chegue ao fim; que você venha logo, ande na minha direção e cruze meus caminhos. Chegue pra ficar. E durma comigo, more comigo, segure minhas mãos, mate barata, compre sorvete e batatas pra mim

por favor, não demore

e que me deixe te abraçar e ser parte do seu mundo e ser seu mundo e te amar todos os dias como se hoje fosse sempre o último dia e como se nos conhecêssemos há vidas e nosso amor já estivesse escrito

por favor, não demore

e que as estrelas abençoassem e que você pusesse um anel no meu dedo. que viesse pra me cuidar e deixar que eu te cuidasse também.

por favor, não demore.
apareça.

 

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