Poesia Post-it #1

Caotize

Deixe um comentário

por | 4 de junho de 2017 · 1:16 PM

tu-poema

tu apareceu nas cartas antes de aparecer aqui
tu apareceu nas cartas antes de aparecer pra mim

e tu me esquenta, me encanta. me escreve, me derrete.
me deixa ofegante, me dá enjoo, me agonia, frio na espinha.

Se eu bebesse, teria falado de você em t o d o s  o s b o t e c o s da cidade, to-dos.
E a cada boteco, meus olhos de cigana oblíqua e dissimulada, esses olhos de plena ressaca ficariam mareados; e o rosto ficaria vermelho, o corpo sem reação e a mente avoada porque tu me fez flutuar. tu me tirou os pés do chão.

tu é caminho no meu jogo, batuque do meu afeto;
tu é o cheiro no cangote, aperto do meu abraço.

 “te vira, mulher. não é pra resistir.”

E aí, larara lariri…
tu apareceu nas cartas antes de aparecer aqui
tu apareceu nas cartas antes de aparecer pra mim

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

apareça

“And there he was, this young boy, a stranger to my eyes.”

Não me canso de perguntar: onde está você? Sabe, algum dia vou te mostrar todos os escritos, as cartas, as músicas e vou te contar tudo que já vivemos na minha cabeça. Você vai saber quem sou eu e eu saberei quem é você, que me falta todas as vezes que preciso de colo e mais ainda: todas as noites que estou só.

por favor, não demore.

Porque eu sei, eu espero e peço que essa dor chegue ao fim; que você venha logo, ande na minha direção e cruze meus caminhos. Chegue pra ficar. E durma comigo, more comigo, segure minhas mãos, mate barata, compre sorvete e batatas pra mim

por favor, não demore

e que me deixe te abraçar e ser parte do seu mundo e ser seu mundo e te amar todos os dias como se hoje fosse sempre o último dia e como se nos conhecêssemos há vidas e nosso amor já estivesse escrito

por favor, não demore

e que as estrelas abençoassem e que você pusesse um anel no meu dedo. que viesse pra me cuidar e deixar que eu te cuidasse também.

por favor, não demore.
apareça.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

segredo

é um segredo
mas só pro mundo
algumas poucas pessoas sabem
souberam antes de mim mesma, inclusive
mas tudo bem, agora eu sei
contei para algumas outras pessoas
pras mais próximas, mandei indiretas
não sei se elas entenderam
mas tudo bem, agora eu sei

eu não contei ainda para todo mundo
primeiro, porque não tem necessidade
(esse segredo não muda quem eu sou)
segundo, porque eu ainda tenho medo do que possam dizer
medo? sim, medo
medo de mudarem comigo
(pois quem mudou comigo primeiro fui eu)
mas tudo bem, agora eu sei

conheci uma garota
acho que estou gostando dela
contei para algumas pessoas
para outras, mandei indiretas
não sei se elas entenderam
mas tudo bem, agora eu sou

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Rotina?

– Como foi ter um relacionamento de dois anos?

– Dois anos e sete meses.

-Três anos, então. Como foi?

– Rotina.

 

Eu sempre pensei que eu não gostava dessa palavra.

Mas pela primeira vez eu percebi que eu nem a conhecia.

 

– Você é assumida? – perguntei.

– Não. – ressoou por seis meses. – Eu vou ter que ir pegar um negócio no trabalho da minha mãe.  – soltamos as mãos. – Fica do lado de fora, tá?! Ela não pode saber que você está comigo.

 

Foram seis meses. Fui a casa dela uma única vez. Conheci a avó e a irmã, mas ninguém me conhecia. Pedi em namoro, ela aceitou. Antes de completar um mês, me traiu com um homem e uma mulher porque estava bêbada. Afirmou que o inconsciente dela não devia gostar tanto assim de mim. Terminamos. Chorei escondida no meu próprio quarto, ninguém na minha casa sabia de mim.

Nesse mesmo ano, devo ter beijado umas 36 bocas.

Não conheci realmente ninguém. Ninguém realmente me conheceu.

Decidi contar para minha mãe, ela disse que continuaria amando por quem eu era. Mas parece que ela ainda não aceitou muito bem esse alguém que ela descobriu que sou.

 

– Você é assumida? – tentei mais uma vez.

– Não. – esse ‘não’ durou sete meses, e ela ainda me chamava de miga. Mas teve um dia em especial que, bêbada, ela disse que me amava. Eu desconfiada, disse que ela tinha bebido muito. Ela sóbria repetiu: Eu te amo.

– Eu também te amo. – e agora? Eu nunca tinha chegado nessa fase.

– Quando estivermos com meus amigos vou te chamar de minha namorada para ver a reação deles.

– Se vai chamar de namorada tem que oficializar, não?! – era a lógica, não era?

– Não, não quero namoro agora.

 

E foi mais ou menos assim que terminamos. Acontece que, não é que ela não queria namoro naquele momento, ela não queria namoro comigo, outra mulher.  Quando terminamos, continuamos amigas, um mês depois ela estava namorando um tal de Lucas.

Já fizeram as contas? Seis meses falhos, mais seis meses de tentativas inúteis, mais sete meses sem desenvolver nada. Um ano e meio sem rotina. Cansei dos aplicativos. Resolvi dar minha cara a tapa.

– Se eu tiver chances com você, me manda um hey?

– HEEEEEEEEEEEEEEEEEEEY!

Ela era feminista radical, não tinha vergonha dos pelos do corpo, das roupas, das suas posições políticas. Raramente usava perfume, tinha os cabelos loiros naturais em enormes cachos, já tinha cortado curto, agora estava grande. Ela parecia não se importar com a opinião dos outros. Fez uma tatuagem com uma frase da bandeira mineira, colocou um piercing sozinha no próprio mamilo.

– Você é assumida?

– Não. – dessa vez eu não conseguia entender, mas transamos, transamos muito. E essa foi a única parte realmente boa? Não, porque nem foi tão boa assim. Histórias, estórias… ela também não quis nada comigo. Começou a namorar dois meses depois com um amigo que ela mesma tinha me apresentado enquanto estávamos juntas.

 

Eu amava mulheres, mas odiava a minha sexualidade.

Se eu fosse hétero eu não teria me submetido a nada disso.

Se eu fosse hétero em dois anos acho que eu saberia o que é acordar do lado de uma pessoa e tomar café.

Se eu fosse hétero minha mãe me perguntaria dos casos e descasos, e provavelmente já teria conhecido algum deles.

Se eu fosse hétero eu não me permitiria ficar com um homem que quer ficar com outras pessoas e está comigo só porque tem medo de ficar só.

Se eu fosse hétero eu poderia chorar.

Não ter medo.

Se eu fosse hétero eu poderia amar.

 

Tudo bem, tentei de novo. Assumida? Não. Inclusive ela não sabia conversar.

– Porque pra mim o físico é o mais importante.

Não preciso nem dizer que essa daí não durou nem um mês, né. Tentei de novo. Assumida? Sim. Mas o beijo não encaixou. Desisti. Fui comer pizza na casa de uma amiga. Bruna o nome dela. Ela me disse o seguinte:

– Eu nunca vou esquecer essa cena. Era aniversário dela, toda a família reunida. Começaram a cantar os parabéns e na hora do com quem será todos falaram meu nome, eu já fazia parte daquilo tudo. Completamente aceita. Nunca fiquei tão feliz. Claro que a leonina aqui começou a chorar.

Eu nunca me senti assim. Até que conheci alguém de outras bandas. Parece que eu precisava sair dessa Brasília amarela.

Essa história não poderá ser continuada, pois ela envolve processos não finalizados. Inclusive há um perfume que ainda impregna minha blusa de frio. Mas hoje de manhã eu perguntei…

 

– Já sentiu o famoso ódio em ser gay?

– Ainda não, e espero não sentir. O que houve?

 

Foram quase três anos.

E tudo o que ela não quer é rotina.

Logo agora que eu estava começando a entender a palavra.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Saudadezinha gay

“Queria dizer q to com aquela saudadezinha gay” disse ela. Sem intenção me fez lembrar de como a gente usa esse adjetivo. Que roupinha gay, que música mais gay, que gay que gay. Como se qualquer coisa pudesse ter trejeitos da sexualidade. E qualquer coisa fosse logo passada para marginalidade quando ao lado da palavra gay. Isso não vai acontecer com a minha saudade. É uma saudade entre mulheres sim, mas que me permito sentir com gosto ao lado de palavras bonitas como chamego, cafuné, aconchego e gozo. Eu acho que não quero ter uma saudadezinha gay…quero uma saudade com gosto de xodó na memória pra lembrar depois.

saud

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Desafio +18

Me chupe!

Até doer a língua

Me lambe

Até que seque a saliva

Me arranhe

Até que a pele estique

Me cala ou me deixe falar;

Me cansa ou me deixe te cansar;

Me ame ou me me deixe te amar;

Me use ou me deixe te usar;

Me goze

Até tremer

Até secar

Até sua pele esticar

Até calar

Até cansar

Até amar

Até usar

Até partir

Ou até me deixar ir.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria