doze de abril

Aaaah! Além do além-mar!

Saudades de te abraçar…

Saudades de te beijar.

 

Aaaah! Além do além-mar!
Saudades de te ter em meus braços  e te mostrar que ali é o seu lar.

 

Ah! Além do além-mar!

Saudades de te venerar

Para que assim você pudesse se encontrar

E se olhar

Para, enfim, perceber que você não é daqui, é de lá.

—————————————————————————————————————————————–

Cá estou em desespero. Não sei se estou pelo caminho certo. A insegurança domina cada célula do meu corpo. Olho para o lado e vejo você. Seu olhar diz o tempo inteiro: Vai! Você consegue! Eu não consigo internalizar essa mensagem. Meu corpo está bloqueado. Eu olho para o outro lado e vejo os olhares curiosos por nossas tonalidades. Não é a primeira vez que percebo isso. Outro dia, em um de nossos encontros vi alguém nos observando. Eu sei, isso é só nosso. O que a gente sente importa só pra gente e pra mais ninguém. Um barulho vem, é o carrinho de livros. O lugar inteiro tem vestígios de mofo. Eu não poderia imaginar, nem nos meus mais loucos sonhos que você estaria ali. Outro toque de mãos: Vai! Você consegue!

—————————————————————————————————————————————–

 

Aqui, me vejo perdida. Não sei o que selecionar, em que devo me focar, o que devo produzir. Estar aqui é assustador. Sei que estou aqui por conta de um desejo e uma capacidade minha. Eu mereço. Mas não sei, é muito inseguro, é um terreno incerto, é como estar pisando em areia. Sim, areia. Não adianta, eu não consigo me livrar dessa metáfora. Aquele é meu lugar.Eu do mar e para o mar. Minha mãe é de lá.

—————————————————————————————————————————————–

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Eu não aguento mais sonhar com você

É oficial: eu não aguento mais sonhar com você.  No cochilo depois do almoço, no meio da madrugada ou no soninho bom de quando está amanhecendo o dia. Vez ou outra, sonhos sobre você. Outra vez, o sonho é com você. Eu não aguento mais sonhar com você. Inclusive nos sonhos teu sexo faz parte de mim, é em mim, para mim e quando menos percebo é nosso. Eu não aguento mais sonhar com você. E você está em todos os lugares, o tempo quase todo. Mudo meus caminhos pra não te encontrar e dobro esquinas pra não te ver porque eu não aguento mais sonhar com você.

Então vamos fazer assim: suma dos meus sonhos pra não doer mais nem um cadim.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

o fim

Vivo a vida esperando o fim.

Não o fim complicado da própria vida. Mas o fim dos começos simples. O fim das conexões.

Costumava admirar-me com a ideia da infinidade entre os outros.

A amizade que dura anos. O amor que se mantém além das expectativas.

Lindo.

A constância, mesmo que um fardo para muitos, sempre enaltecida, venerada.

Nada mais que idealização, descobri.

Um dia de adeus foi o bastante.

Na verdade, foram vários. Vários adeuses.

E cansei de lutar pela eternidade.

Há muito tempo que aceitei a realidade de que a única presença constante em minha vida é a da minha consciência. Às vezes sussurrando. Às vezes gritando.

Aprendi a viver assim. Sem esperar a continuidade dos laços formados pelo sangue, pela infância, pela coincidência, pelo suor, pelos desejos.

Assim vivo a vida. Esperando o fim.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Fire is the town

pedra-que-pega-fogoEla correu pela Avenida Ariel e virou à esquerda na Rua Potter e logo viu a cafeteria pegando fogo. Correu desesperada. Ela não sabia porque estava naquele lugar. Reconheceu que aquela era a cafeteria que ela comprava café todas as manhãs para aguentar todas as hipocrisias que teria que enfrentar durante o dia. Quanto mais chegava perto da cafeteria mais fogo tinha.

Ela resolveu mudar o caminho e virar na Rua Indiana à direita. Lá, a livraria pegava fogo. E ela caiu em prantos. Quanto mais chorava, mais fogo tinha. Aquela era a livraria que ela gastava horas procurando os livros que gostava. Ela se sentia num mundo particular ali dentro. Um mundo dela, de alguma forma.

Resolveu voltar e pegar a Rua Cacheada onde o supermercado pegava fogo. Lá, as labaredas de fogo estavam altas. Aquele supermercado era o mesmo que ela frequentava sempre que uma visita chegava em sua casa. Ela sempre ia lá para comprar um lanchinho. Não sabia o que fazer e sentou-se no chão gritando e chorando sem entender o motivo de tanto fogo na cidade. Quanto mais ela chorava e gritava, mais o fogo se aproximava. Ela entrou em pânico quando as chamas chegaram perto dela.

Ela não conseguia ver ninguém por perto. Apesar de saber que nunca estava desamparada. Ela só gritava e chorava. E, quanto mais ela entrava em desespero, mais fogo tinha em sua volta.

Foi aí que num súbito, ela lembrou que tinha que tentar manter a calma pra poder conseguir sair de perto de todas aquelas labaredas sem se machucar. Aos poucos foi se acalmando, respirando profundamente, tentando achar uma solução pra sair dali. Quando, finalmente, se acalmou ela abriu os olhos e viu que todo aquele fogo tinha sumido. Todas aquelas labaredas não existiam mais.

Ela voltou a sorrir. Percebeu que estava rodeada de pessoas. Rostos conhecidos. Eles estavam ali. Eles sempre estiveram. O tempo todo. Ela sentiu falta de alguns rostos que estavam sempre por perto, mas que naquele dia não estavam lá e ficou se perguntando o motivo. Foi então que quatro moças se aproximaram e falaram para ela:

-Não era verdadeiro.

-Por isso eles não estão aqui.

-Não se preocupe. Você não sentirá falta.

-Observe ao seu redor.

Ela ficou atordoada. Não sabia como aquilo tudo tinha acontecido. Alguns rostos ela não sabia porque tinham ido até lá. Mas, no fundo de seu coração percebeu que quem estava ali a queria sempre por perto.

Ela fechou os olhos tentando entender de alguma forma como tudo aquilo aconteceu. O fogo. Os lugares. As lágrimas. As pessoas. Os recados. E, nesse fechar de olhos, foi parar em um lugar muito longe. Se viu rodeada de estranhos que queriam lhe ensinar coisas novas e ela estava disposta a aprender. Ela estava focada em tudo que ensinavam e ao mesmo tempo pensando em tudo que acontecera naquela cidade em chamas.

Então, começou a perceber que aquele fogo era controlado por suas emoções. Ela percebeu que somente ela tinha controle sobre a intensidade dele. Ela percebeu que o que estava fora dela era completamente conectado com seu interior. Ela percebeu que o fogo destrói mas também é luz. Enfim, aos poucos ela foi aprendendo a viver com suas emoções e com o fogo, sabendo que ele sempre seria um elemento que purificaria e reacenderia sua alma.

     -Para Lisbela

 

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Postcard.

Resultado de imagem para london postcard


A gente cresce, a vida passa, as coisas mudam, eu bem sei.
Talvez eu precisasse vir mesmo até aqui pra lembrar de como tudo já foi um dia.

Eu lembro do seu sorriso, dos seus olhos de ressaca, do seu amor pela dança e pela música. Lembro de como sempre te achei tão certa e segura de si, e de como os acontecimentos das nossas vidas sempre pareceram estar em sincronia.

E lá vem essa sincronia mais uma vez.

Eu, aqui, na cidade que um dia você já chamou de “seu lugar no mundo”, estou começando a me encontrar e a entender quem sou e a qual lugar pertenço. Ainda não descobri se o achei de fato, mas já entendi que gosto mais de quando você está ao meu lado.

Pois então esse texto veio pra ser um cartão postal. Uma carta. Um chamado. Um pedido.

Preciso do seu sorriso, já que sabemos que sorrisos significam – e eu preciso de significados.

Quero voltar a olhar mais pros seus olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada, porque aprendi que o oceano é tão profundo como nós somos e que suas ressacas são necessárias para nossa evolução. Ainda não descobri o que oblíqua significa, mas descobri que é bom ser um pouco dissimulada.

Necessito do seu amor pela música e sua paixão pela dança. Uma vida sem música é uma vida sem trilha sonora… E precisamos aprender a dançar no nosso ritmo certo.

Sinto falta dos seus conselhos, das suas conversas, de como você sempre disse pra confiar e acreditar. Sinto falta da sua presença. De saber da sua vida e de te contar da minha.

Tu me manques.
Te extraño.
I’m looking forward to meeting you soon.

(também sei ser troglodita).

Para Ismália,
De Lisbela.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Para e sobre ela

Abriu os búzios:
É Iansã!
Vento, tempestade, brisa, calmaria,ventania
Eparrey
Não, talvez não.
Calma, doce, é água que corre oraieieô mas não mexe com quem tá quieto que o veneno do escorpião sobe
mas é aquário que responde
planeja minuciosamente ou dá a doida e foda-se porque eu posso! Sim, eu posso.
Eu danço, canto, seduzo, deduzo. Quem quer vir que venha não tenho tempo pra deixar passar.

 

A vida é breve o vento traz e leva
Vem pra cá, dança comigo de mar em mar que nas ondas eu vou te levar.
Mas sobre ser leve, eu sei. Doçura, abrigo, colo não há de faltar.
Uma mulher ímpar que não tem qualquer pessoa como seu par.
Inteligência, saber conversar.
À menina vulcão, mulher furacão,
                                                      para Anne

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Manual de jardinagem

Nunca gostei muito de flores. Ganhei algumas no dia da minha formatura da pré-escola… lindas! Eu tinha uns 6 anos. Coloca na água! Minha mãe disse. Só que não adiantou nada, morreram do mesmo jeito. Nem eram tão cheirosas assim, muito delicadas, um sopro e elas estragavam. Nunca entendi a satisfação de arrancar a beleza da vida, só para exibi-la por aí enquanto ela não apodrece. E depois? Lixo. Absolutamente inútil.

Se for me presentear, pelo amor da Deusa não arranque flores. Eu iria preferir a planta inteira, ou quem sabe uma mudinha de pimenta.

Pois bem, os anos passaram e aquela criança de seis anos descobriu que, na verdade, amava cultivar flores. Por volta dos doze eu já tinha uma ideia de que essa seria minha verdadeira habilidade, mas negava. A verdade era que sempre fui uma menina durona demais para aceitar o trabalho manual e sensível do cultivo de flores. Eu preferia carros,  lego, espadas, armas de brinquedo, árvores, bola, qualquer coisa mais agitada.

A primeira flor que conheci era uma Acácia amarela. Luiz Gonzaga já havia cantado sobre ela quando eu descobri meu amor secreto por suas pétalas. Ela era linda, mas não me dava muita bola. E confesso que não tínhamos muita compatibilidade.

A segunda flor era uma Bardana. Essa me irritava. Insuportável. Nem a sua textura me agrava muito. Mas mantive o seu cultivo, pois não queria machucá-la. Houve um dia que conheci uma Begônia que me introduziu à timidez e a inocência, eu já tinha uns treze anos e essa definitivamente marcou bem a minha memória. Lembro-me de seu perfume até hoje.

Miosótis, Narciso, Tulipa, Zínia, Iris, Gardênia, Dália, Fuchsia, Cravina, aprendi a preparar o terreno para todas elas. Algumas morreram no caminho, outras acumularam pragas, a maioria se salvou. Todas as flores precisam de atenção. Porém, foi só por volta dos quatorze que fui conhecer a Rosa, sem ter ideia de como eram seus cuidados.

Eu vi essa Rosa pela primeira vez por acaso. Eu estava em uma aula de teatro e, na escola, eram duas turmas. Só que um dos professores havia faltado, fazendo com que as duas turmas se reunissem em uma mesma sala. Sentamos todos em roda e o professor deu continuidade ao que ele tinha planejado e, quando olhei, ela estava lá, próxima à janela. Eu uso blusa de feira e não vejo problema. Foi assim que notei a humildade e o afinco de sua sépala.

No ano seguinte comecei o ensino médio e, com ele, conheci mais duas flores: Ranúnculo e Rosmaninho. Foi também através da Rosa que conheci outras queridas três flores: Magnólia,  Nigella e Bromélia. Rosa foi basicamente um eixo importante que ligou fases da base de quem sou hoje, então irei me ater a ela.

 


COMO CULTIVAR ROSAS – VEJA DICAS E CUIDADOS BÁSICOS


 

As roseiras devem ser plantadas em solo rico em amizade, preferencialmente diversas. As conversas devem ser oceânicas em profundidade. O preenchimento da abertura deve ser feito aos poucos, com terra inicialmente em torno da raiz, construindo tudo com tato e firmeza.

Regue sempre quando o sol estiver mais forte, ao meio-dia, até começar a floração. Não esqueça do protetor solar. A partir daí, regue somente em períodos de seca, pois ela não gosta de grude. Recomenda-se aplicar fungicidas quando a primeira folha de ideias contrárias apontar, pois a incidência de brigas é maior.

 


CULTIVO DAS ROSAS NO JARDIM

 

Prepare o canteiro oito dias antes de iniciar o plantio. Deixe tudo limpo e organizado. Use 10 litros de chá ou sucos, nada de refrigerante. Coloque 100 gramas de comida japonesa e misture bem. Remexa bastante a terra até 30 a 40 cm de profundidade.

 


CULTIVO DAS ROSAS EM VASO

 

Se quiser saber como plantar rosas em vasos, tenha sempre em mente que o tamanho do recipiente deve ser proporcional ao porte da roseira. Jamais a deixe presa em um apartamento lotado de outras flores, ela pode se sufocar com o passar do tempo. Aplique um adubo de rolês com os amigos sempre que necessário, seguindo as doses indicadas pelo fabricante.

 


REGA

 

A rega das plantas também é de extrema importância e merece algumas dicas especiais caso você queira saber como plantar rosas bem. A primeira dica é que, após o plantio das mudas, até a primeira floração, as rosas sejam regadas todos os dias. Quem sabe com um pouco de arte, ela gosta de desenhar, de mangás, de animes, de livros, de escrever… já vi Rosa dançando de Single Ladies à Joelma,  e cantando de Natasha Bedingfield aos agudos de Oh Happy Day do filme Mudança de Hábito. Também são ótimas amigas, se abra. Seus conselhos serão genuínos e racionais. Suas piadas também. O riso vem em ótimo auxílio para o seu bom crescimento e desenvolvimento.

 


PODA

A primeira poda deve ser feita após um ano do plantio e ser repetida todos os anos. O melhor período para podar as roseiras é nunca, pois há muito estresse no processo, mas às vezes é necessário.

Após a primeira floração, quando normalmente ela te corta com palavras inúteis para o seu crescimento, é necessário fazer uma poda de limpeza, cortando de duas a três folhas abaixo do botão, sempre na diagonal. As podas são necessárias para que as roseiras sempre floresçam e se desenvolvam bem sem destruir as outras flores ao seu redor.

 


COMO PLANTAR ROSAS: ERROS COMUNS

  • Excesso de rega;
  • Uso de água fria para regar (o ideal é água com temperatura ambiente);
  • Mudança de lugar das plantas enquanto elas ainda estão se adaptando;
  • Uso excessivo de inseticidas e sem instrução;
  • Preconceito;
  • Mexer em suas coisas sem autorização;
  • falar imbecilidades, principalmente professores e pais;
  • mediocridade;
  • forçar sua memória fraca;
  • implicar com seu gosto musical restrito;
  • falar que Jane Austen é chata;
  • Darcy não é lá essas coisas;
  • e K-pop tampouco;

 

 


Nunca gostei muito de flores. Nunca entendi a satisfação de arrancar a beleza da vida, só para exibi-la por aí enquanto ela não apodrece. E depois? Ela mela, apodrece e seca. Lixo. Mas se colocar num livro ela seca e fica naquela cor linda. Na verdade, não. Ela perde a cor. É isso o que acontece. Ela perde a cor, a forma, a textura, o cheiro, a vida. E eu já vi muitos relacionamentos morrendo assim. Relacionamentos amorosos, familiares, no trabalho, etc

As grandes flores que conheci foram as mulheres na minha vida. Muito obrigada a cada uma delas. Hoje em especial à Rosa, pois com ela que mais conversei e convivi durante os anos críticos da adolescência, aprendi muito a fertilizar plantas inteiras, e a unir diferentes plantações. Confesso que foi a primeira vez que vi um flor cultivando uma jardineira.

 


Para Emma.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria